sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

To find the stories that we sometimes need

Pronto, eu tenho um plano.
Sim sim. Eu, aquele muleque que nunca tem nada sob controle, tenho um plano.
Um plano de um ano, que vai revolucionar minha vida pra sempre e vai me permitir não ter que fazer planos por um bom tempo.
Mas pra dar certo dessa vez, eu preciso me concentrar. Vou ter que sacrificar um monte de coisa pra ir com isso até o fim, mas fazer o quê? Tudo tem seu preço.

Não, eu não vou deixar ninguém no suspense. O plano é passar em Oceanografia. O curso vai ser em algum litoral. Depois de formado, eu terei meu próprio barco e nenhum emprego fixo. Isso é que é vida.
E, olha que emocionante, quando chegar o fim do mundo em 2012, vou ser um dos primeiros a dançar. :D
Isso significa um ano de estudos quentes e abolição de várias atividades rox. Mas é isso, preciso de foco. Também significa ficar longe dos meus amigos e de grande parte de tudo o que eu conheço. Mas eu volto pra visitá-los, com certeza.

Não sei se tenho mais de um leitor nesse blog (oi Dok!) mas, em todo o caso, esse post vai ser grande. Espero que o meu leitor solitário tenha paciência pra ler tudo (ok Dok?).
É uma série de contos que eu escrevi nas férias, deixei salvo como Rascunho e esqueci de postar.


Esse é o conto que eu prometi em outro post. Aquele que eu li num livro de contos e achei muito legal. Ele chama

Tudo está bem quando acaba bem.
Era uma vez um casal. Eles eram bem velhinhos e moravam num vilarejo pobre, um pouco longe do mercado.
Eles não tinham muito dinheiro, e todo o seu sustento vinha de um cavalo magro e velho que eles utilizavam em sua pequena plantação ou emprestavam aos vizinhos em troca de alguns trocados.

Um dia, logo após o café-da-manhã, a velha disse:
- Meu velho, vá ao mercado vender esse cavalo. Ele está ficando velho e logo irá morrer e nos dar prejuízo.


O velho então concordou e prontamente saiu com o cavalo.
No caminho, ele viu um fazendeiro vindo do lado contrário com uma vaca.
"Se eu conseguir trocar este cavalo por aquela vaca, a velha com certeza vai ficar muito feliz. Nós teremos leite fresquinho toda manhã!", ele pensou.

- Com licença, rapaz. - Disse o velho. - Você não quer trocar essa sua vaca pelo meu cavalo?
- Ora, mas é claro! - Disse o fazendeiro, que sairia ganhando muito mais com o cavalo do que com a vaca.

Ia o velho caminhando feliz com a vaca pela estrada de terra quando deu de cara com um homem e sua ovelha. Ele pensou consigo mesmo:
"Ora, mas uma ovelha vai me valer muito mais que uma vaca! Vamos tosar sua lã regularmente e, quando o inverno chegar, eu e minha velha teremos roupas quentinhas para nos aquecer. Ela ficará muito feliz, com certeza!"

- Ei, meu jovem. - Ele disse. - Você gostaria de trocar essa ovelha pela minha vaca?
- Puxa, você tem certeza? - Disse o jovem.
- Mas é claro. Creio que eu e minha velha estaremos bem melhores com uma ovelha, ao invés de uma vaca.
- Ora, então está bem.

E eles trocaram.
Ia o velho chegando no mercado com sua ovelha, quando viu um homem passando com um belíssimo ganso na coleira.
"Ora, mas que ganso gordo e bonito!", pensou o velho. "Se eu levar esse ganso para casa, poderemos engordá-lo mais ainda e, ao fim do ano, teremos um maravilhoso ganso assado! A velha ficará exultante, com certeza!"

- Com licença, você gostaria de trocar esse ganso pela minha ovelha? - Perguntou o velho.
- É pra já! - Disse o homem sem pensar duas vezes, pois sairia ganhando muito mais com uma ovelha do que com um ganso.

Mal havia o velho trocado o ganso, quando viu uma galinha muito engraçada num poleiro do mercado. Ela cacarejava para os que passavam, mas não saia do lugar.

- Minha nossa, que galinha engraçada! Minha velha com certeza se divertiria muito com ela. Vendedor, você não gostaria de trocá-la pelo meu gordo ganso?
- Puxa, mas que barganha! É claro que sim!

Satisfeito, o velho ia voltando para casa com sua galinha. No meio do caminho, parou para descansar numa taverna no meio do caminho. Lá, haviam estrangeiros. Ricos franceses que conversavam alto numa mesa enquanto tilintavam sacos de moedas.
Um deles se enturmou com o velho e acabou sabendo sua historia.

- Minha nossa! Então quer dizer que você começou o dia com um cavalo e está voltando com uma galinha? A sua esposa com certeza vai ficar furiosa! - Disse o francês, com seu sotaque afetado.
- Mas é claro que não. A velha com certeza ficará muito feliz com a galinha. Ela é engraçada e bota ovos! Tudo ficará bem, você vai ver.

Duvidando, os franceses fizeram uma aposta com o velho. Eles trocariam a galinha por um saco de batatas velhas, e o velho voltaria com as batatas para casa. Se a velha ficasse revoltosa, os franceses iriam embora com a galinha. Se ela ficasse satisfeita, eles dariam ao velho o equivalente em ouro do peso das batatas, além de devolver sua galinha. Com a certeza de que ganharia, o velho aceitou a aposta.

Ia voltando ele com os franceses quando a velha avistou-os:
- Meu velho! Você já está de volta, que alegria! Chegou bem a tempo para o jantar.
- É muito bom estar de volta, minha velha.

E eles se abraçaram calorosamente.

- E o cavalo, o que fez com ele? - Ela perguntou.
- O cavalo eu troquei por uma vaca.
- Ora, que maravilha! Com uma vaca, teremos leite fresco todos os dias para nós e para venda! Puxa, que troca maravilhosa!
- Mas eu não fiquei com a vaca. A vaca eu troquei por uma ovelha.
- Puxa, mas isso também é maravilhoso! A ovelha, além de também dar leite, nos dará lã para mantêr-nos quentinhos durante o inverno. Meu velho tem sempre a razão! Ele pensa em tudo!
- Eu também não estou com a ovelha. Eu a troquei por um gordo ganso.
- Ah, mas você sabe que eu amo carne de ganso! Com o tempo poderemos deixá-lo ainda mais gordo, e eu farei um cozido caprichado para nós dois. Ah, mas que belezura!
- Mas o ganso eu também não tenho mais. Eu o troquei por uma galinha engraçada.
- Ah, é aquela galinha do mercado? Nossa, mas eu sempre me divirto tanto com ela. Será muito bom tê-la aqui conosco. Ela irá cacarejar para todos os passantes, além de nos dar ovos! Nós poderemos fazê-la chocá-lo e teremos mais galinhas, que poderemos fazer chocar mais ovos e em algum tempo teremos uma granja! Puxa, mas que ideia maravilhosa! O velho pensa em tudo.
- Mas a galinha eu dei a esse grupo de franceses. Em troca, eles me deram este saco de batatas velhas.
- Ah, mas que coincidência! Pois hoje mesmo eu ia cozir algumas batatas para o jantar, quando notei que não tínhamos o bastante. Eu fui pedir a Maria das Flores, aquela mesquinha filha do farmacêutico, e ela disse que não tinha o bastante nem para ela mesma. Agora ela vai ver! Com essas batatas, eu vou poder fazer o nosso jantar, e irão sobrar algumas para eu levar para ela amanhã. Ela com certeza vai ficar com a cara no chão, hahaha!

Espantado, um francês falou:
- Mas o seu marido saiu de casa prometendo vender o cavalo e voltou com um saco de batatas velhas! Você ainda está satisfeita mesmo assim?
- Ah, minha criança. - Disse a velha. - Você não entendeu? O velho tem sempre a razão! Além disso, tudo está bem quando acaba bem.

Espantados, os franceses lhes devolveram a galinha, além de dár-lhes um saco de ouro com o peso das batatas. E partiram com os bolsos um pouco mais vazios, mas com uma lição e tanto para o resto da vida. Tudo está bem quando acaba bem.




É mais ou menos assim.



Um ser que prezava a transformação, a instabilidade, a liberdade de ser o que quiser quando quiser.
Num estralar de dedos, era um músico famoso internacionalmente. Num outro, era só uma estátua esquecida em meio a uma praça silenciosa.
Quando estava muito sentimental, era uma mulher. Quando queria recuperar a razão, era um homem.
Tomado por sede de diversão, o ser era um deus, dono de tudo. Tomado pela curiosidade, ele era tudo, um pouco de cada.
Ele era a menininha bebendo suco na esquina. Ele era um suco. Ele era uma esquina. Ele era um verbo. Beber.
O ser era o que quisesse, quando quisesse. Ele achava que era perfeito. Superestimava ao extremo suas infinitas capacidades.

Mas ele jamais seria estável. Jamais seria confiável.


Ontem eu vi uma pessoa interessante no shopping. Era um homenzinho velho, bem vestido, de cabelos grisalhos e uma bengala. Estava estático, encarando o vazio. Ele me disse que seu sonho desde pequeno era andar em todos os meios de transporte existentes. Eu perguntei a ele se estava lutando para realizá-lo, e ele me mostrou uma lista eletrônica em seu palmtop.
A lista era enorme, e nela estavam todos os meios de transporte existentes na atualidade. Eu ia passando pelos itens riscados enquanto ele me contava várias historias.
Ele já havia cavalgado lhamas nas montanhas, camelos e dromedários no deserto, elefantes, bois, cavalos... Golfinhos.
O homem levou semanas treinando em um circo para aprender a pilotar um monociclo. Correu em bicicletas de um, dois, três, quatro, sete bancos. Pilotou motos, lambretas, carros antigos, carros novos, carros de fórmula um e até tanques militares.
Ele vôou em monomotores, planadores, asadeltas, helicópteros e jatos.
O velho havia gasto uma década de sua vida estudando e se preparando para ser aprovado numa missão espacial que o levou a uma viagem de foguete pelo espaço.
Eu não conseguia pensar em qualquer tipo de meio de transporte sem que ele tivesse uma historia sobre ele.

Até que cheguei ao fim da lista, onde havia um item ainda não riscado. Um único transporte que aquele homem fantástico jamais pisou. Então eu entendi porque ele estava ali parado. Ele não estava encarando o vazio coisa nenhuma, mas a escada rolante a nossa frente.

Eu o incentivei a ir em frente e tomar a iniciativa que completaria a sua vida, mas ele estava inseguro. O velho ponderava sobre os perigos de uma escada rolante. Ele dizia que não se deve confiar numa viagem curta só porque ela é curta. Ele contava sobre as terríveis historias de pessoas que perderam os pés, ou até metade do corpo, engolidas por escadas rolantes famintas.
Eu podia notar que o velho suava frio.


A escada estava logo ali, totalmente vazia, rolando como nunca. E o velho não avançava. Eu dizia que seria simples. Tudo o que ele devia fazer era se manter no meio da escada e lembrar de dar um passo quando chegar ao final. Ele tremia, balbuciava frases sem muita coesão.

Então eu percebi. Não é da escada que o velho tinha medo. Ele tinha medo de completar a lista. Medo de não ter nada depois disso. Percebi que era um pavor totalmente plausível, esse que ele tinha. Era medo de perder o propósito.

9 comentários:

lamps disse...

vc tem mais de um leitor.

Rafael disse...

oh, damn it! concorrência

Gam disse...

WOW! LAMPS!
Duplicou o Ibope! :DDDDDDD

Blaze disse...

Fake, eu leio também. XD

Gam disse...

CARAMBA

Juro que eu fiquei emocionado agora ,_,

Jow disse...

raramente leio. FDP! Vai pra Fernando de Noronha estudar, cuzão

Gam disse...

Agora você vai ler mais pra usar como pretexto pra eu ler o seu, né Jojow? :3~

Jow disse...

exatamente como descobriu?

Gam disse...

Eu sei como é. ASJKLDHASJKD