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domingo, 24 de agosto de 2008

Se nada der certo, vou pescar.

Hoje eu fui pescar. Tecnicamente falando, um fracasso. Mas a idéia era ocupar meu tempo, e isso eu consegui. Segue o relato.

Eu não tinha isca, né. Na verdade o plano era caçar minhocas por lá desde o começo, assim como da última vez. Mas eu esqueci que da última vez quem caçava as minhocas eram meu tio e meu primo. EU NUNCA CATEI MINHOCA.

Mas tudo bem, tudo o que eu tinha que fazer era lembrar exatamente o que eles fizeram. Eles sempre cavucavam perto de árvores. Ótimo, então eu só precisava achar uma árvore com terra relativamente arada, é claro!

Comecei a cavucar. Não sem antes quase enfiar a cara numa enorme teia de aranha...
E depois de uma hora de cavucagem, nenhum progresso. Foi quando a minha mente se iluminou e eu entrei em um processo que chamamos de evolução. Arranquei um galho meio duro pra usar como utensílio de escavação e continuei o trabalho com o quádruplo de produtividade.

Eu tava tentando lembrar qual era aquele produto que usavam pra fazer minhocas virem a superfície que eu vi no documentário da escola quando PÁ, SURGIU. Era roliço, dividido em anéis e marrom, mas não era uma minhoca... Bom, só o fato de ser uma forma de vida já me deixou muito feliz. Quer dizer que alguma coisa eu tinha feito certo.

Na presença de um exemplar perfeito de tal criatura, não pude deixar de gravar para dividir.


Foi assim que eu tentei pescar com uma centopéia.
A essa altura minha vizinha aranha já tinha capturado o seu almoço três vezes maior que ela, humilhando completamente meus polegares e capacidade de raciocínio que não conseguiram nem achar minhocas.

Economia é a alma do negócio. Por isso decidi cortar minha pobre centopéia em três. E aí reparei como ela era dura e que nenhum peixe em sã consciência iria querer devorar aquilo... Mesmo assim eu tentei. Sem sucesso.

Mais um tempo cavucando e eu já estaria nas olimpíadas e encontrei... Outra centopéia. Essa deixei viver, não havia razão para acabar com sua insignificante vida já que sua carne era imprestável.
Diante do duplo fracasso e das duas horas na beira do lago sem pescar absolutamente nada, resolvi que já tinha me divertido o bastante e era hora de voltar.

Da próxima vez ou levo o maringuense comigo ou vou pra uma Lan House.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Família, família... Mamãe, papai, titia.

Não importa a época

Não importa o lugar


Família é tudo igual.

Hoje me deparei com uma dessas pérolas cotidianas que a gente esquece de se levantar pra reclamar.

Visto que já se passou metade do feriado e eu ainda não fiz nada, achei que seria no mínimo saudável chamar um amigo pra passar a noite aqui em casa.
Confiante de que não seria nenhum problema, me dirigi até a sala, onde se encontrava toda a minha família, para pedir a bendita autorização aos meus pais. Com o estress a flor da pele, minha mãe soltou um daqueles "Não" que te deixa momentaneamente sem reação. Após breves instantes para me recompor, perguntei "Por quê não?".

Ela relutou. Se não fosse o fato de estar assistindo a um filme e querer e livrar logo de mim, acredito que ela nem teria respondido.

"Porque hoje é sexta-feira santa."

Puta que pariu, hoje é sexta-feira santa. Se a minha família fosse religiosa e comparecesse a igreja ao menos uma vez por mês, eu entenderia isso. Mas não, a última vez que pisamos numa igreja foi... Cacete, eu nem lembro da última vez que pisamos numa igreja.

Ou então se eles fizessem alguma espécie de ritual de sacrifício ou jejum na merda da sexta-feira santa... Mas não, nada! O pensamento atrasado dos meus pais se limita a prender toda a família em casa em pleno feriado para, pasmem, assistir Tropa de Elite. E se você tentar argumentar qual é a lógica disso, eles ficam simplesmente desnorteados e se fecham num casulo de grosseria e dissimulação para proteger seus eternos dogmas familiares desconexos.

Mas eu não estou postando pra reclamar disso.
Depois do episódio, me peguei pensando nas várias pérolas de família. Acompanhe.


Piercings e tatuagens.Não estou falando daquela mulecada de 12, 13 anos que insiste em meter um piercing escondido atrás da sobrancelha direita por quê seus outros amigos delinqüentes assim o fizeram. Eu até concordo quando alguém diz que eles não sabem pensar por si mesmos.

Tô falando do pai dominador que renega o filho de 20 anos por causa de uma tatuagem de leão na batata da perna. Será possível que o cara não entenda que a batata da perna é do muleque, e não dele?
Caramba, que diferença isso vai fazer pra vida dos outros!? Um muleque de 20 anos já deve ter feito tanta merda na vida e o cara ainda se encuca com uma tatuagem ou piercing?!
Esse episódio é típico de pais pobres que sonhavam em ter um filho quarenta vezes mais rico que eles e ficam sempre repetindo a velha história "Ah, no meu tempo não tinha mordomia de graça não... No meu tempo eu tinha que andar 400 quilômetros a pé pra escola todo dia carregando meus trinta irmãos nas costas. Ah, vocês são mal acostumados"


Domingão em família.

Crianças gritando e chutando umas as outras, tiozões gritando e rindo alto enquanto falam de futebol, titia fulana reclamando da vida pra titia fulana, que tá doida pra contar a fofoca sobre o fulanelson. Alguém fuma a um canto, cachorros derrubam pratos da mesa, jovens desocupados jogando baralho... Domingão em família pode ser a maior perda de tempo do mundo, ou uma experiência incrivelmente interessante se você prestar atenção.
Sem mais comentários sobre isso, acho que vocês já entenderam.


O cachorro.
"AAAAAAH! Que bunitinho! Quem é o totó da mamãe? Vem cá, vem. AAI, OLHA QUE FOFO O QUE ELE TÁ FAZENDO NA MINHA PERNA! Meu Deus, o que ele tá fazendo na minha perna? Hehehehehe, bunitinho!"

E o nome? Lessie, Rex, Thunder, Angelia Jolie, Barbie, Sandra...
Depois vem um cientista bitoladaço e diz que animais são estúpidos. Também, né?


Carreira.

Esse tem maior incidência no nordeste. O cara passa a vida inteira enfiando na cabeça da criança que ele(a) vai ser médico(a) quando crescer.
O pior, o pirralho acredita.
Tá aí, tudo quanto é primo lá no nordeste virando doutô. Vamo ver se dura...


Por aí vai... Reconheceram algum caso?

Ah, permita-me deixar aqui o que eu sempre ouço do meu pai e até hoje tento entender.
"Sai desse computador e vai ver TV."