domingo, 26 de janeiro de 2014

Bacon, dois, quatro, pisa pisa pisa.

Estou sozinho. Minhas pernas ainda cansadas da escalada da noite anterior, minhas botas furadas. O lugar é um dos meus bares preferidos na cidade. Ali você encontra pessoas das mais variadas idades e caras, é um ótimo lugar pra ser você mesmo. A entrada não tem placa ou nome algum piscando, se resume à um muro sem graça com alguém sentado na porta. O interior é um buraco escuro embaixo de um hostel barato. Paredes de tijolo à mostra, alguns panos no teto de madeira escondendo o estrago que os cupins fizeram outrora. Mesas de sinuca antigas, rock de bom gosto tocando. Uma televisão muda no canto passa em close-caption documentários sobre aventureiros, alpinistas, gente interessante. Uma entrada nos fundos com cortinas de açougue separa do próximo ambiente, igualmente escuro mas com ar-condicionado e música mais barulhenta. Cerveja, só em dinheiro.

Eu cheguei mais cedo que o resto. Ainda é cedo, o bar está relativamente vazio. Eu posso pegar uma mesa sem ter que negociar com ninguém, pra variar. Compro minha cerveja, vou beber no gargalo. Pego a mesa que fica bem no meio do salão. A luz da lâmpada de ferro pendurada balança lentamente, iluminando os vários rabiscos que muleques bêbados fizeram na mesa com o giz. Arrumo as bolas, posiciono a branca em cima do ponto de início, onde riscaram um A dentro de um círculo. Dou a primeira tacada. A bola passa por cima de um pentagrama gloriosamente torto e mal-feito e encaçapa uma de cara. Bom sinal. A noite começou bem.

O legal de ser horrível em sinuca é que jogar sozinho se torna uma experiência emocionante. Um jogador decente simplesmente passa o tempo, relaxa ou se entedia enquanto encaçapa cada bola em cada tacada. Mas quando estou jogando, eu posso perder sozinho. Eu contra meus próprios demônios. Cada erro é um ponto pra eles. É isso o que sempre fizeram, se alimentando dos meus deslizes. Eu tenho todo o tempo do mundo pra planejar cada tacada, mas minha mão nem sempre me ajuda, muito menos meus olhos míopes. Sem jogar, meus demônios encaçapam impiedosamente.

Eu ganho a primeira. Na segunda vez, encaçapo a última bola ao mesmo tempo que a bola branca se suicída. Considero um empate. Na terceira vez, eles ganham com uma facilidade revoltante.

Eu me concentro. Compro outra cerveja. Preciso ganhar uma pra empatar, afinal um empate é o mínimo que se espera de uma pessoa jogando contra ela mesma. Sozinho em um bar escuro, perdendo pra minha própria habilidade miserável, me dou conta de minha insignificância. A sinuca se tornando um interessante exercício de humildade, conforme eu noto que mal sou capaz de lidar com meus próprios erros. Me pergunto se eu já sabia disso e só estava me lembrando, ou se acabei de aprender. Me pergunto se é um momento razoavelmente justo, ou se deveria ter sido mais cedo. Penso em me comparar com outras pessoas, mas o exercício por si só me ensina a não fazer isso. Eu perco de novo. Três pra eles, um pra mim, um empate.

Eu coloco outra ficha, arrumo as bolas. Vai ser um longo caminho até eu alcançar a pontuação dos meus demônios internos, mas tenho paciência. Preparo pra primeira tacada, ajeito os óculos, respiro fundo. Mas um rosto conhecido me faz interromper o movimento. É o Panda, virando o corredor e se aproximando. É isso, nosso acerto de contas tem que ficar pra mais tarde.

Inevitavelmente, perco pra ele também. É, um exercício de humildade.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

You make the rock'n roll go round

Um blog nada mais é que, e estou usando essa definição vaga na intenção que qualquer tipo de blogueiro concorde comigo, um caderno que você deixa em cima da mesa. Enquanto o blog é o caderno, a mesa é o endereço(URL) para acessá-lo.
Enquanto pra uns este "caderno" é um diário que ele deixa escondido e, assim como a URL, não conta pra ninguém, para outros (que seria o meu caso) é só um lugar onde você se dá o direito de escrever o que você quiser. Pode ler quem quiser ler, a mesa tá ali pra quem passar do lado, mas se alguém ler e não gostar o autor não tem nada a ver com isso. "Não te mandei link nenhum!", dirão os acusados.

Desde que passei na faculdade, passei a morar sozinho e tive liberdade pra sair de casa quando quisesse, eu passei a conversar bem mais com meus amigos (uma mesa de bar é muito mais que beber cerveja, crianças). Sendo assim, meu blog passou a ser atualizado com uma frequência cada vez menor. E o advento do Facebook tornou a coisa ainda mais complicada.

Ou seja... Tudo o que eu quero gritar da boca pra fora (ou mesmo só comentar casualmente), eu posso fazer no Facebook. O que eu quero manter mais singelo, eu conto só pra amigos mais íntimos entre uma cerveja e outra. Pra este blog sobram as raras coisas que ficam no meio termo. Coisas que eu quero falar pra todo mundo, mas não quero que ninguém pense que é uma indireta. Pra essas raras situações específicas preciso de um lugar onde eu sei que alguém vai ler, mas que não estará em uma placa brilhante pra Deus e o mundo. É essa a minha visão sobre meu blog, do qual tenho tanto apreço.



Pensando nisso, vim falar sobre uma conclusão que tive hoje a respeito de pegar mulheres. Pra quem só fica com mulher pra namorar, o assunto não tem qualquer fator interessante. Para fanáticos religiosos em geral, a porta é logo ali. Mas, pra quem aceita ficar com uma pessoa qualquer as vezes, mesmo que raramente, vale a reflexão.

O pensamento começou quando percebi que tenho um cuidado, até receio, em pegar meninas de baixa auto-estima em geral. Gordinhas, nerds, moças sem peito e bunda, por aí. Não por causa das situações descritas, mas sim por causa da falta de confiança que elas têm em decorrência disso.
Eu posso até ter vontade, mas percebo claramente que eu só evito ficar com esse tipo de pessoa porque tenho medo de que elas gamem em mim. Não que eu seja qualquer pão-com-nutella, mas creio que devido à pressão social e à decorrente baixa auto-estima, estas meninas sejam facilmente apaixonáveis por pouca coisa e, assim, a situação acarrete em responsabilidades morais/emocionais que eu não planejava ter. Resumindo, "Eu quero pegar essa menina. Mas pelo jeito que ela age, as pessoas devem ter tratado ela tão mal que, se eu tratar bem, ela vai fazer eu me sentir obrigado a pedí-la em casamento."

Do mesmo modo, as meninas gostosas têm homens com muito mais facilidade. E, por mais que façam dramas e teatros dignos do ápice do ultra-romantismo, elas não têm muito (ou qualquer) grude com uma pegação casual com um cara que a trate bem. É normal pra elas. Por isso é muito mais fácil e tranquilo pegar meninas bem resolvidas sem qualquer tipo de pressão.

Daí, perceba, por situações ocasionadas pela sociedade babaca somada às minhas boas intenções, fica parecendo que eu tento ficar com as gostosas porque são fáceis e com as outras (em geral) porque são "feias". Mas não. Aliás, é praticamente o contrário. As gostosas são muito confiantes e as outras se apaixonam muito fácil. Claro, isso à grosso e generalizado modo.

O ponto não é criar (mais) um estereótipo estigmata à respeito de mulheres. Mas sim revelar um ponto-de-vista diferente. Do tipo, "Gordinha, você poderia ficar casualmente com bem mais caras se não fosse tão insegura consigo mesma". Seria legal se eu fosse uma celebridade anônima pra mandar essa mensagem por aí, mas esse termo por si só não existe de tão contraditório. Então apenas posto nesse endereço esquecido por Deus e fico satisfeito por ter desembuchado essa pseudo-tese social antes de me esquecer dela. Até porque o próximo bar é só depois-de-amanhã.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

De Mago e de Louco...


Não me considero um cara cético. Hoje em dia, quando usamos a palavra "cético", geralmente ela nos remete à alguém que não acredita em absolutamente nada sobrenatural. Então não, cético não. Mas eu sou do tipo "ver pra crer".

Bom, ultimamente eu vi algumas coisas que mexeram com as minhas verdades. E, aviso logo de cara, esse post não vai ter nada a ver com religião. Segue relato, até pra eu mesmo lembrar mais tarde:



Estava eu andando na rua aqui perto de casa quando me deparei com uma carta de baralho no chão. Ela tava ali jogada, virada pra baixo. Nada impressionante, afinal por aqui jogam todo tipo de lixo esquisito na calçada. Curioso como eu sou, virei. Era um 9 de Paus. Carta aleatória, nem me atiçou a curiosidade.



A vida continuou. Alguns dias depois, fui pra uma festa. Fiz cagada, deu o maior fuzuê. Uma experiência digna a seu próprio modo, mas ainda assim uma confusão. Não convém detalhar aqui pra não expor outras pessoas. No dia imediatamente após a tal festa, encontrei outra carta de baralho virada pra baixo, na calçada de uma outra rua também aqui perto de casa. Pensei "se for o 9 de Paus de novo, eu vou ficar muito bolado". Não era. Era o de Espadas. Mas foi o bastante pra eu ficar consideravelmente bolado mesmo assim. O bastante pra eu procurar o significado disso.



Chegando em casa, procurei sites de cartomancia no Google. Encontrei esse detalhamento simples do 9 de Paus:

NOVE DE PAUS — Agitação, envolvimento emocional
Esta carta prenuncia para o consulente o desenvolvimento de uma situação ligada a relações familiares e sociais. Ela não se refere ao amor, pois o relacionamento indicado pelo nove de paus envolve várias pessoas. (...) Se for seguido pelo nove de espadas, ela prepara o consulente para enfrentar muitas atribulações. Mas elas não serão insuperáveis, pois o nove de paus é sempre uma mensagem de realização.

Eu sou um cientista, pelo amor de deus. Eu teria dito que é só um golpe de azar, que é um texto vago e subjetivo que se encaixa com qualquer situação, que isso é história pra espantar gente impressionável. Eu teria dito tudo isso, se a descrição não terminasse com a exata ocasião de a carta aparecer no tabuleiro seguida pelo 9 de Espadas. Isso já é coincidência demais. Me deixou encucado. Encucado o bastante pra tomar cuidado nas próximas aglomerações de pessoas em que eu participei. Natal e Ano Novo em família, principalmente.

O Natal e o Ano Novo foram ótimos, obrigado. Se isso é porque as cartas me ajudaram a evitar uma tragédia ou porque minha família é um amor por natureza, já não importa mais.

Mas a história não acaba por aí. Se acabasse assim tava muito fácil.

Hoje, poucos dias depois do ano novo, estava arrumando uma gaveta pra todas as cartas e pequenas lembranças que eu guardo comigo. Quando, hei que pra minha surpresa, uma carta de baralho virada pra baixo. Eu devo ter guardado porque ela deve significar alguma lembrança pra mim, mas agora não lembro mais o que era. Penso com meus botões "Ma puta que o pariu", respiro fundo e viro a carta. Curingão.




Demorou pra eu achar um site que dissesse o simbolismo do Curinga, porque aparentemente a cartomancia do baralho comum geralmente o exclui. Acabei encontrando um com uma explicação bastante detalhada, mas vou colocar aqui só uma pequena parte:

Simbolismo prático - Significa um potencial latente que cada um de nós possui, e que pode ou não se manifestar ao longo de nossas vidas. Pode parecer a princípio um sinal de ingenuidade, candura ou até mesmo pura palhaçada, mas as surpresas são uma qualidade inerente a esta carta.

Agora, quem lembrar do fim da última previsão que eu tinha lido ganha uma estrelinha.

(...) Mas elas não serão insuperáveis, pois o nove de paus é sempre uma mensagem de realização.

Creio que não tô forçando a barra quando digo que dá pra ver alguma relação aqui.

Uma situação inusitada é uma coincidência. Meia dúzia de coincidências já vira sacanagem. Eu teria que ser cego pra não ver um sistema se formando aí. A história poderia acabar aqui, né? Poderia, mas não acabou não.

Intrigado por todo esse lance de cartas aparecendo espontaneamente por todos os cantos pra falar sobre a minha vida, me senti inspirado pra fazer uma capa do Curinga pro meu perfil do Facebook. Inofensivo, certo? Certo. Escrevi "cards" em um site de imagens. Apareceu uma de tarot que me deixou particularmente curioso. Era bonita e, apesar de já ter visto um baralho tarot antes, eu não me lembrava dela. O Tolo.



Pesquisei sobre O Tolo. Aparentemente, ela deu origem ao Curinga do baralho comum. Nada sobrenatural aí, a semelhança é visível.

Cada carta de tarot tem uma gravura bem específica com um conjunto de fatores com simbolismos próprios. O Tolo não é exceção. Encontrei o simbolismo dele no Wikipedia mesmo, mas em inglês. Segue uma gravura mais fiel à original e uma tradução livre:




O Tolo é o espírito em busca de experiência. Ele representa a sabedoria mística do abandono da razão dentro de nós, a habilidade infantil de nos sintonizar às maquinações internas do mundo. O sol brilhando atrás dele representa a natureza divina da sabedoria e exuberância do Tolo, a 'loucura sagrada' ou 'sabedoria louca'. Nas suas costas estão todas as possessões que ele pode precisar. Em sua mão há uma flor, mostrando sua apreciação pela beleza. Ele é frequentemente acompanhado por um cachorro, às vezes representado como seus desejos animais, às vezes pelo chamado do 'mundo real', mordendo seus tornozelos e o distraindo. Ele está completamente despreocupado a despeito de estar à beira de um precipício, aparentemente à um passo de cair. Uma das chaves da carta é o paradigma do precipício. O Tolo é ao mesmo tempo o começo e o fim, a sabedoria e a loucura, o existir e a inexistência.

Acabou que me familiarizei bastante com o Tolo, gostei dele.
No fim das contas o tarot me encontrou, então eu vou aprender. Começando com um livro e um baralho. Vamo ver no que que dá.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

"Filho, jamais confie em um homem que não bebe."


Você, caro leitor, é um bosta. Todo mundo da sua família também é. A pessoa que você mais gosta no mundo também é. O senhorzinho honesto da vendinha é um bosta. O Papa é um bosta. Eu sou um bosta, diacho.

E isso não é necessariamente ruim. A partir de quando assumimos que são todos cheios de defeitos, a convivência se torna muito mais fácil. Não há uma pessoa sequer perfeita nesse mundo, por mais que se esforce, e negar isso só abre portas pra decepções e mais decepções. Se ofender quando alguém lhe acusa um defeito, principalmente quando, mesmo que lá no fundo, você saiba que é verdade, é perda de tempo. O que custa assumir? Seu acusador também tem um defeito. Vários, aliás. Por que não abrir os olhos?

Parto desse princípio na minha convivência com as pessoas. Por isso as vezes pareço grosso, direto demais, ácido demais. Mas, ora diabo, não existe o ditado "não faça aos outros o que não quer que façam com você"? Por regra de três, é igualmente válido o "esteja a vontade para fazer aos outros o que aceita que façam com você". Não penso duas vezes antes de expor um defeito de alguém, e depois dou a mesma liberdade para a pessoa. Creio que uma existência transparente nesse sentido torna tudo mais fluído, as engranagens do convívio social se encaixam melhor e funcionam mais rápido.

A hipocrisia de fechar os olhos para o desconfortável me enoja. É por isso que sempre tenho dois pés atrás com pretensas pessoas "boas". Se alguém tem um ego tão inflado a ponto de se considerar uma pessoa "boa", ele considera todo um grupo de pessoas a um nível pior que ele. Rola um desprezo aqui, percebe? E essa pessoa "boa" acaba sendo a pior de todas, porque seus defeitos são tabus e suas intenções são sempre as melhores, portanto ela obviamente pode fazer o que quiser.

É claro que há exceções, há pessoas que se contentam em ser como são sem julgar os outros por tabela. Mas, até segunda ordem, tomo cuidado dobrado com todos os pretensos heróis. Religiosos, vegetarianos, sóbrios, honestos, sãos... Um perigo, essa gente.

Nós somos defeituosos por natureza. Cedo ou tarde teríamos que engolir isso.
Mas, no fundo, eu podia resumir tudo isso com um quote:

Filho, jamais confie em um homem que não bebe, pois ele é um tipo  hipócrita, um homem que acha que distingue o certo do errado o tempo todo. Alguns deles são bons homens, mas em nome da bondade eles tendem a causar a maioria do sofrimento do mundo. São os que julgam, os intrometidos. E, filho, nunca confie em um homem que bebe mas se recusa a ficar bêbado. Geralmente eles têm medo de algo muito profundo no seu âmago, sejam eles covardes e tolos ou cruéis e violentos. Você não pode confiar em um homem que tem medo de si próprio. Certas vezes, filho, você pode confiar no homem que, ocasionalmente, ajoelha-se frente a um vaso sanitário. Com sorte, ele está aprendendo algo sobre humildade e sua própria e tola natureza humana, aprendendo a sobreviver a si mesmo. É muito, muito difícil um homem se levar tão a sério quando está deixando suas entranhas em um banheiro imundo.

~James Arthur Crumlye (12 de outubro de 1939 – 17 de setembro de 2008)
The Wrong Case (1975)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Homo sapiens, o onívoro por natureza que todos nós somos."


Caríssimos.
Vim hoje no intuito de escrever um longo, polêmico e prepotente post criticando vegetarianos. Mas, parando pra pensar, acho que posso resumí-lo em uma mensagem de duas orações simples para eles:

Não é o que vocês fazem que tá errado. É como vocês fazem.

Veja bem, eu não estou aqui pra criticar qualquer religião, mas ninguém gosta de mais um tipo de Testemunhas de Jeová. Conversão, por si só, é um tópico extremamente delicado. Perceba, se alguém quisesse se converter a alguma coisa, ele iria atrás disso pessoalmente. Há apenas uma chance em não-sei-quantas-várias de que a pessoa realmente aceite sua crítica agressiva como um novo caminho de vida.

E sim, postar fotos no Facebook de filhotes de animais dilacerados pendurados pelo pescoço em um gancho industrial enquanto pingam sangue e acusar todos os comedores de carne de monstros insensíveis é uma abordagem agressiva. E, sejamos sinceros, abordagens agressivas automatica e naturalmente levam a posturas defensivas.

Façamos um rápido experimento mental pra provar esse ponto, sim?
Imagine um cenário-base em que você está de humor neutro caminhando em uma rua neutra em um dia neutro. Agora, imagine duas situações possíveis recorrentes:
  1. Uma conhecida recente aproxima-se com um gentil sorriso e uma expressão ligeiramente preocupada, mas ainda assim compreensiva no rosto, e diz "Com licença, eu posso ter um momento de sua atenção? É que você tá usando camiseta azul, e eu tenho um trauma antigo a respeito de... bla, bla, bla."
  2. Uma mulher furiosa que você mal conhece chega gritando, cuspindo atrocidades e apontando o dedo na sua cara enquanto grita "MALDITO AAAAZUUUUUUULLWUUAWIRWARAWRRRRRR"
Ok, eu admito que a situação e o trauma foram um pouco aleatórios, mas deu pra entender. O ponto é que uma postura mais agradável faz completa diferença na boa-vontade do ouvinte, e isso pode te levar longe se o que você pretende é ser compreendido ou, se for mais ousado, conversão.

Se todo mundo entendesse esse princípio simples, teríamos um mundo bem menos estressante para aguentar.
Isso vale para vocês vegetarianos e vegans, todas vocês garotas nerds feias (sim, porque as feias tendem a ser bastante revoltadas. As bonitas, convenhamos, só tão nessa pela atenção), para os que foram mimados a vida inteira e não sabem como pedir algo e, principalmente, pra vocês malditos zumbis de Humanas bitolados e hipócritas.

Sim, eu tenho um trauma com os zumbis de Humanas, ou humanazóids, como gosto de resumir. Perceba que com isso não me refiro a toda e qualquer pessoa que curse Humanas, só a uma boa parte delas.

...

Aliás, tá aí um assunto divertido: Humanazóids.


Sabe aquele cara que quota frases e leis esquisitas na internet, fuma cigarro, maconha (apenas "ocasionalmente"), distribui convites de Eventos de passeatas, é todo cult, detesta o sistema, o governo, a polícia, a própria família e a Humanidade em geral, com exceção dele mesmo e possivelmente alguém que concorde com ele ou que ele queira pegar? Então...

(Parando pra ler agora, isso tá muito parecido com os hipsters. Bom, não é a toa que eu não vou com a cara dos dois grupos. Malditos adolescentes...)

... Então, isso é um humanazóid. Eles se acham verdadeiros paladinos da luz, reclamando sobre o que tá errado e as vezes até fazendo algo para lutar contra (mas em geral só reclamando mesmo). Toda e qualquer pessoa que aja ou pareça agir contra seus sagrados princípios é, aos seus olhos, um "maldito ignorante tragado pelo sistema".

Humanazóids em geral são jovens como qualquer um de nós. Eles gostam de sair e se divertir, tem um instinto de rebeldia inato e querem aparecer. A diferença é que encontraram um jeito um pouco mais pretencioso que a média pra fazer isso, que particularmente me tira do sério.

Não é a toa que os chamo de Humanazóids. Essa curiosa e hedionda raça costuma brotar entre os estudantes de cursos universitários de Humanas (de faculdades públicas, em sua maioria). Se dividirmos o mundo da maneira simplória e maniqueísta como eles vêem (ou seja, separando entre bem e mal), podemos separar os cursos de Humanas entre os cursos do bem e os cursos do mal.

Nossos auto-proclamados paladinos, obviamente, nascem dos cursos do bem: História, Filosofia, Ciências Sociais, Psicologia, Artes Cênicas, Letras, etc.

Caso esteja se perguntando sobre os cursos do mal, basta pensar em ternos.
Direito, Relações Internacionais, etc.

O que mais me irrita nos Humanazóids é a sua falsa-inteligência. De repente, porque leram um ou outro livro sobre filosofia ou comunismo, eles acham que alcançaram a iluminação absoluta e, a partir daquele momento, se tornaram Power Rangers.
Não consigo entender como alguém que ainda separa o mundo entre "gente do bem e gente do mal" pode se declarar genial o bastante pra 'consertá-lo'.

Bom, peço que não interpretem esse post como um grito de revolta. Fazia tempo que eu não postava nada, daí resolvi criticar alguém ou alguma coisa. Isso sempre rende.
Da próxima vez posso falar sobre minha recém-adquirida revolta a espíritos pobres e espíritos ricos (cheguei a conclusão de que só gosto de espíritos classe média) ou, sei lá, sobre a opinião que venho formando a respeito do meu curso. Também são assuntos que prometem render um pouco.

Aproveitando, aquele beijão pra quem ainda tira alguns segundos do seu tempo pra ver se tem post novo nessa velharia. Vocês são uma graça, gente!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Quando eu morrer não quero choro nem vela...

Segue uma despedida antecipada, para o caso de eu ser atropelado ou tomar uma bala perdida qualquer dia desses e não der tempo de escrever uma maior:

À toda a minha família, aquele beijo e aquela força.
Ao papai e à mamãe, um abraço eterno em especial. Cada sacrifício que me orgulhei de fazer foi pelo caráter que vocês me deram.
À minha irmãzinha: Vencer, sis! O mundo aqui fora é bem mais complicado, mas você vai tirar de letra com seu sorriso e seus amigos.

À todas as mulheres por quem me apaixonei na vida: Não lhes devo nada, teria sido muito mais fácil sem vocês.
Com toda a delicadeza e boa vontade que tive todo o tempo por vocês, desejo que cada uma vá pra puta que lhe pariu.

Aos meus amigos: Pra vocês eu devo tudo, teria sido muito mais difícil sem vocês.

É só isso. Amo cada um de vocês, muito obrigado e se cuidem enquanto eu estiver fora.



Não, eu não estou com tendências suicídas! Só me ocorreu deitado na cama que se eu morresse de repente, uma despedida passaria em branco. Então caso me aconteça um acidente fatal, por favor peço pro primeiro que ver isso que espalhe pra quem eu conhecia. Valeu!

No mais, já declarei que doem todos os meus orgãos e com as minhas coisas a minha família vai saber o que fazer. Não faço questão que façam nada em especial com o corpo, não vou usar.
Mas seria legal se no funeral dessem uma festa bem animada convidando todo mundo. Ah, e quero que os meus brothers bebam até sair carregados, de preferência. (:

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um dia você aprende que...


O Menestrel
Um dia você aprende que...

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo. •.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você é na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida
são tomadas de você muito depressa,
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos
com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós,
mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que você mesmo pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,
e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
mas se você não sabe para onde está indo,
qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência
que se teve e o que você aprendeu com elas
do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia
se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer
que ame, não significa que esse alguém não o ama,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto,plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar...
que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

© William Shakespeare



Caramba, como é que nunca me mostraram isso? A melhor obra que já vi do homem.
A vontade é de pegar alguns trechos e entregar pessoalmente pra algumas pessoas. E depois engolir outros vários.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

E isto não é banal.

Me agrada o contraste, o calmo com o agitado, o ponto preto no branco, o ponto branco no preto. Me agradam os ciclos, o jeito como as coisas terminam pra começar de novo. O humor auto-depreciativo. Capacidade de não se levar tão a sério. Me agrada a aleatoriedade, a surpresa. Não ter que seguir um livro de regras.

Me agrada a liberdade. Todas elas. A liberdade que uma pessoa que eu amo tem de não me amar de volta, mas sim outra pessoa. A liberdade que eu tenho de ser o que eu quiser, quando eu quiser, do jeito que eu quiser. A liberdade que as pessoas tem de me julgar por isso. De acertar, de errar. A liberdade que eu tenho de me importar ou não.
Me agrada, de verdade. Sem sarcasmo.

Aliás, me agrada o sarcasmo. A ironia, o ácido, a sacanagem que vem da intimidade, o humor negro. Beber pra passar vergonha. Acho isso muito bom, talvez até necessário.
Me agrada o desprendimento do óbvio, do básico. Me agradam os erros ingênuos das crianças. Sem intenção. Me agradam os erros ingênuos dos adultos, dos velhos. Os meus.

Me agrada a evolução das pessoas. Do jeito como nós pensamos que aprendemos alguma coisa pra depois aprender algo novo e descobrir que estávamos errados o tempo todo. Me agrada a capacidade de admitir isso, de melhorar. Ver alguém mudando de ideia, mudando de cabeça.

Muito me agrada o sentimento de ter sido útil. Fazer algo bom sem ninguém ficar sabendo, ter o prazer de se satisfazer só com a auto-aceitação. Me agrada saber quais são seus próprios defeitos, admitir, aprender a lidar com eles.

Sei lá, no fim das contas... Gosto disso tudo aqui.
Pô, mó legal cara.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Aos mestres, com carinho.

Tô com uma tremenda vontade de escrever sobre meus maiores mestres. E é exatamente isso que eu vou fazer, hohoho.
Só pra me afundar com gosto na sessão nostalgia, vou citar mais ou menos como foi cada um deles, como eu os conheci e uma ou outra coisa importante que aprendi.

Pode parecer clichê, mas eu simplesmente tenho que começar pelos meus pais. Foram meus primeiros mestres, né... Mas também não vou falar dos dois como se fossem uma entidade só. Distinguirei-os.


Papai Waguinho.
Meu pai é um grande homem, de verdade. Ele tem virtudes muito fortes. Respeito, caráter, decência, moral. E junta a isso a um jeito simpático e extremamente agradável de ser, reagindo à pressão com bom humor e um sorriso. Não é qualquer um que sobe na vida ao ponto que ele chegou. E ele nem fica repetindo essa história toda hora. Talvez por reflexo da ditadura, meu pai é um tanto submisso em certos aspectos. Se por um lado ele acredita em construir uma vida com sangue e suor, por outro ele se nega a inovações que escapem do que ele leva como padrão na vida. Apesar disso, ele continua me apoiando mesmo quando eu discordo tão vêemente e bato o pé contra essas convicções estagnadas. Aprendi demais com o meu pai não só pelo que ele me deu, como pelo que ele me negou.

Mamãe Jacó.
De uma família pernambucana de nove filhos, a única que saiu debaixo da asa dos pais e se aventurou por essas bandas. Minha mãe tem o gênio forte e um coração infinito. Ela largou os estudos e o trabalho pra casar com o meu pai e criar a família. Começou o artesanato depois que eu já era bem crescido, como um hobby. Hoje, poucos anos depois, tem uma loja dela, é referência e dá aulas. Ela passou a vida seguindo o que ela sentia. Diferente do meu pai, minha mãe tende a ser mais impulsiva. Se ele é cabeça, ela é coração. E os dois me passaram coisas igualmente importantes que procuro equilibrar.

Dag Lemos.
Tá aí um amigo quase 60 anos mais velho que eu. Dagoberto Lemos é um baita profissional na área de desenhos, me ensinou tudo o que eu sei sobre o assunto (por mais que a esse ponto eu já esteja bem enferrujado) e bem mais que isso. Dos 10 aos 17 anos eu estive naquele estúdio, sempre conversando com esse mestre. Conheci vários alunos que vinham e voltavam, conheci a família inteira dele, conheci sua história de vida. Começando a vida, eu via o mundo pelos olhos de um homem caminhando pro fim dela. E assim, com o Dag, eu tive a honra de aprender logo cedo o que ele levou uma vida pra entender. O valor das pequenas coisas. Não é a toa que eu posso soar como um velho quando falo com tanto orgulho que passei uma noite assistindo TV com um frango assado e uma garrafa de Tampico. Aprendi com o melhor.

Beto. O urso.
Meu pai sempre disse que é de extrema importância que eu me mantenha fazendo exercícios. Apesar de não ser nem de longe uma pessoa inclinada à violência, sempre achei esportes muito chatos e sem sal, daí pratiquei uma série de estilos de luta. Por um ano, foi ninjutsu. Sim sim, de ninjas mesmo. E o meu sensei era esse cara aí. Se eu tinha feito cinco ou mais anos de kung fu antes, nesses 12 meses de ninjutsu aprendi bem mais. O sensei pegava realmente firme com a gente. Era algo que até hoje me faz achar banal certas coisas consideradas tensas. A gente apanhava muito, muito mesmo. Mas, além de um mestre da arte do assassinato silencioso, ele também era um budista convicto. Toda aquela atmosfera nipônica de honra e disciplina misturada a um toque de segredos tenebrosos e misticismo budista deram no que pensar. A gente viu coisas estranhas, beirando o sobrenatural.
Algo que jamais esqueço que o sensei sempre repetia era dos tais tesouros escondidos por aí. É uma metáfora, claro. Se baseia na sabedoria de que você deve estar sempre atento porque, onde menos espera, está uma lição valiosa. Foi muito importante aprender isso porque a partir daí aprendi várias coisas bacanas.

Soraia, ou só Sô.
Essa mulher tomou choque no pé, cara. Ela foi pega pela ditadura, virada de cabeça pra baixo e eletrocutada. Ela trabalhou com um macaco, cara. Ela é a arte em pessoa, sempre efusiva e falando da vida como quem recita uma poesia. Um cabeçudo limitado pode achar que ela é só uma pirada, mas a Soraia é bem mais que isso. Ela é praticamente uma barda, uma trovadora ou algo do tipo. Eu conheci ela na sala de aula, quando criança. Ela dava aula de "Ética e Cidadania" pra gente. Drogas, educação sexual, preconceito, bullying, sabe? Essas coisas. Depois de anos de teatro e convívio com a Sô, já nos meus 18, eu estava entrando na favela com ela pra ensinar teatro pras crianças da creche. O que essa mulher proporcionou me cedeu parte do que eu sei de mim hoje. Ela tem força, tem voz, tem postura. A Soraia é um exemplo de vida, com certeza.


Dá pra aprender muito com qualquer pessoa desse planeta, mas algumas simplesmente acabam inspirando mais, seja de propósito ou sem querer. Na minha vida, até o momento, tive a honra e o prazer de ter conhecido verdadeiros mestres. E eu me encho de orgulho em falar de cada um deles.

É isso aí. Valeu, falou.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sun goes out, you´ll be standing all alone!

Que bom que a gente não escolhe como vai ser. Eu gosto de ser o que sou, não quero nada diferente. Mas, se soubesse que seria assim, teria escolhido outra coisa.

É bem legal a certeza de poder contar em ser assim. Se tem uma pessoa no mundo que eu posso confiar, sou eu mesmo. Mas as consequências são muito altas e as recompensas, próximas de zero. Diria tratar-se de um fardo válido, mas isso só se eu considerasse um fardo.
Não, não... Dá pra levar.

É isso aí, sem arrependimentos. Isso porque tenho a cabeça no lugar e sei bem o que eu sou e o que eu quero.
E foda-se.

Eu, agora, sobre caráter e romantismo.



Sim, é lógico que isso é reflexo de um ou mais acontecimentos reais. Eu-lírico é a minha jeba.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tava eu aqui dobrando roupa limpa pra guardar.

Tava eu aqui dobrando roupa limpa pra guardar. Elas amontoadas de qualquer jeito na cadeira, eu ia pegando peça por peça, dobrando e deixando na cama.
Em dado momento peguei uma meia sem par. Corrigindo, mais uma meia sem par. Até que encontrasse seu casal, se é que encontraria, a pendurei no braço da cadeira.

Foi isso, cara. Uma meia solitária no braço da cadeira.

E a parada toda desequilibrou.
A cadeira, que já era bamba, estava toda apoiada pra um lado. Bastou uma meia pra desequilibrar o peso pro outro lado. Todos nós sabemos que isso é plenamente possível. Não é algo que devia ser tão impressionante, por mais divertido que seja. As vezes só mais uma grama aqui ou ali é o bastante pra estraçalhar todo o equilíbrio do sistema.

Mas, pensando bem... As vezes é tudo o que falta pra mudar toda a situação, né? Não uma meia, mas uma pessoa. Um largado do avesso qualquer sem par, no lugar certo e na hora certa, pode virar tudo. E isso se aplica pra tantas coisas na vida.

Cara, tirei uma lição de vida de uma cadeira bamba e uma meia perdida. Sou ou não sou um completo desocupado?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Gira girou...

Tudo calmo demais.

Haha, cheguei num estágio da vida em que sei que tem alguma coisa ruim pra acontecer quando tá tudo calmo demais. Adoro essa sensação. Esses momentos de emoção também fazem as coisas valerem a pena.

Aproveitando a deixa, uma frase de Caetano Veloso, que inclusive virou subnick:

Um porto alegre é melhor
que um porto seguro
para a nossa viagem
no escuro


... Muito verdade, Velosão. Muito verdade.

sábado, 28 de maio de 2011

Roll a D6!

Sabe o que é você estar sem fazer nada quando te mandam um vídeo e você, internet ruim, só abre porque tá de bom humor?
Sabe o que é, depois de meia hora carregando, esse vídeo fazer você gritar na mais pura nostalgia?
Sabe?

Essa eu dedico aos meus saudosos RPGistas e todas as horas de vida real e mérito com as mulheres que trocamos por interpretar papéis e dilacerar monstros e criaturas místicas em geral.




Mais que um vídeo no youtube, um estilo de vida.

Segue letra, aos mais interessados:

In the basement rollin dice, I’m a wizard
When we play we do it right, candles flicker
Fighting dragons in my mind, (in my mind) just for kicks (kicks)
DM says you’re gonna die, roll a D6!

Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now DM says you’re gonna die, roll a D6!

Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now DM says you’re gonna die, roll a D6!

Gimme perception check (check)
Make your damn roll worthwhile
Players love my style, at my table gettin wild
Got these schemes a plottin, I got my map and my cloak
Got the players heads a poppin, someone get me more Coke!

HELL YEAA
Level up! Lev- Level up!
Goblins all around me I be hackin em all up!
I be hackin em all up!
I be hackin em all up!
When there’s Goblins all around me I be hackin em all up up up

In the basement rollin dice, I’m a wizard
When we play we think we fight giant lizards
Getting treasure piled high (piled high), Like the Rogue, Nyx
Steal a wallet from that guy? Roll a D6!

Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now Steal a wallet from that guy, roll a D6!

Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now Steal a wallet from that guy, roll a D6!

Keepin it keepin it wild, In the forest I got style,
I’m a level thirty ranger, I been playin for a while
This is how we live, every single night
Necromancer raise the dead , and let me see them fight (ight ight ight)
HELL YEAA
Raise em up, raise, raise em up!
Zombies all around me I be hackin them all up
I be hackin them all up
I be hackin them all up
When there zombies all around me I be hackin them all up up up

Sittin down here with these mice, I’m a wizard
When we play we go all night, eating twizzlers
Got my spell books piled high, (piled high) learning new tricks
Shooting lightning to the sky, (whispered) roll a D6!

Roll a D6, roll a D6
A HA HA HA HA Shooting lightning to the sky, roll a D6!

Roll a D6, roll a D6
A HA HA HA HA Shooting lightning to the sky, roll a D6!

Its that Dungeon Crawlin Beast make you put yo shields up
Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
Its that Dungeon Crawlin Beast make you put yo shields up
Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
HELL YEAAA Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
HELL YEAAA Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!

In the basement rollin dice, I’m a wizard
When we play we do it right, candles flicker
Fighting dragons in my mind, (in my mind) just for kicks (kicks)
DM says you’re gonna die, roll a D6

Roll a D6, roll a D6
HA ha ha ha ha DM says you’re gonna die, roll a D6

Roll a D6, roll a D6
HA ha ha ha ha DM says you’re gonna die, roll a D6

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Canta aquela música que a gente ria...

É verdade, a gente mudou muito.
Não só vocês, não só eu. Todos nós mudamos com o tempo.
Isso é muito legal. O caminho que cada um seguiu é bem diferente de todos os outros, e mesmo assim, a despeito de todos os clichês de distância e afastamento, continuamos sempre unidos.
É legal comparar cada um de nós agora com o que nós fomos antes e com o que os outros se tornaram.

A vontade que eu tenho é de citar um por um e fazer aqueles comentários saudosos e comprometedores. Mas, apesar de saudoso, isso seria comprometedor. Então fica aqui a vontade e, os que sabem, lembrarão de todos.
Todos os extremos que atraímos e até hoje não sabemos o que todos tinham em comum a ponto de formar um grupo. Todas as coisas esquisitas que fizemos juntos.
As influências que uns demos aos outros. Cada um vai levar pro resto da vida um pouquinho do que aprendeu convivendo junto.

Poxa, cedo ou tarde ia bater aquela saudade. Bateu!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Then you got to set them free

Preciso beber e matar essa carência.
Felizmente, agora eu moro no lugar perfeito pra isso :')

Beijos, querido diário!

terça-feira, 22 de março de 2011

O Rio de Janeiro continua sendo...

Um homem tentou me passar a perna com uma lábia ferrada. No mesmo dia, fui enganado por uma máfia de taxistas. No dia seguinte, uma viagem de trem até a puta que pariu atrás da mulher que me seria um baita problema dali pra frente. No próximo, tentativa de assalto de um garoto que nem havia completado os dez anos. Revistado por um policial mal-encarado no meio da noite. Visita casual ao puteiro mais famoso da cidade. Quase me meti em encrenca no alto de um prédio, no apartamento de cafetões esquisitos.
Perdi a passagem de ônibus. Passei a noite bebendo com gringos. Conheci gente dos quatro cantos do planeta. Fiz um juramento ajoelhado na beira do mar. Descobri que é possível, sim, uma mulher ter peitos tão grandes que escapam pros lados do corpo.
Aprendi a lavar banheiro. Aprendi a lavar cuecas. Aprendi a passar roupa. Aprendi como não parecer suspeito. Subi no alto de uma pedra de vários quilômetros de altura, de onde pude ver a cidade inteira e tomar banho de chuva de dentro da nuvem. E é uma cidade muito grande.
Muito grande.
Conheci gente que eu já pensei que nunca veria ao vivo na vida. Me meti em intrigas e joguetes idiotas vindo de pessoas que eu jamais imaginaria. Estive em festas ótimas. Estive numa boate de primeira classe que mal dava pra andar sem pisar em alguém.

Foi tudo assim. Atropelado, uma coisa atrás da outra, sem tempo pra respirar. Do jeito que eu gosto.
Prevejo que vai levar muito tempo pra ouvir a palavra rotina de novo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

You gotta win a little, lose just a little

Haha, tô começando a me acostumar com esse negócio de mulheres me passando a perna. Se elas pelo menos variassem um pouco... Se eu me metesse com uma só que não me fizesse de palhaço pra variar, já ficaria impressionado.

Isso é terrível, eu disse que não me tornaria um coração de pedra e tô me tornando.
Preciso dar um jeito de sofrer um pouco mais. Acho que vou ouvir umas músicas tristes, assistir uns filmes melosos, sei lá.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Said I'll believe in anything

"Damn, I love this place! I'll go back here every year"

Ótimo. Nem começou direito e a vida no Rio de Janeiro já se provou perfeita. Meus companheiros de república toda noite conversando na varanda e jogando baralho, a melhor comemoração de carnaval do país ocorrendo a algumas quadras, gente nova pra conhecer em todo canto, uma morena maravilhosa testando minha boa vontade, uma cidade caótica com uma nova história pra contar todo dia. Literalmente, todo dia.

Perdi minha passagem pra Minas Gerais e a sucessão de fatos me forçou a passar o Sábado de carnaval no Rio. Em dado momento, eu percebi que estava numa mesa conversando com um angolano, um sul-africano e um inglês. Athi, o sul-africano, era sem dúvida o mais afetado pela cerveja.

"I could live here.", ele ficava repetindo o tempo todo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Take this broken wings and learn to fly

A ficha ainda não caiu.
Eu vou deixar tudo o que eu conheço pra trás e entrar de cabeça numa vida que eu não faço nem ideia de como vai ser. Eu vou estar totalmente por conta num mundo ainda maior do que o que eu cresci. Eu tô dando 'all in' na vida, cara.
Porra, a sensação é boa demais.

you were only waiting for this moment to be free



Só tenho que resolver mais algumas coisas.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Imagine all the people

Já pensou que, na verdade, todos nós temos algo em comum? E nem é uma semelhança tão forçada assim.

No fundo, é como se você olhasse pra alguém e já conhecesse aquela pessoa. No fundo mesmo, você conhece. Ela não é muito diferente de você, na essência. As coisas que ela passou e viu fizeram ela crescer de um modo totalmente a parte do seu, mas se você olhar bem lá dentro, vai notar claramente que vocês são iguais.
E, se for parar pra pensar bem, talvez não seja ela a diferente. Pra ela, é você quem é uma pessoa que teve uma vida com experiências totalmente desconhecidas que te formaram como você é. Mas, se ela for esperta, vai perceber que na essência vocês são a mesma coisa.

Quando se passa na rua e se vê aquela infinidade de gente, não é como se fossem vários bichos de sete cabeças. São todos iguais. Cada um encarou a vida a seu modo mas, no fundo, você pode entender todos eles, basta entender você.

É assim que eu vejo.